





A integração das técnicas agronômicas promovida em nosso sistema de produção resultou também em uma contribuição relevante aos recursos hídricos nas áreas agrícolas. A permanente cobertura do solo com canaviais e suas palhas ou com as culturas em rotação reduz a perda de água por evaporação, além de elevar as capacidades de retenção e de infiltração de água no solo pelo acúmulo de matéria orgânica e pela reconstituição de sua bioestrutura, ou seja, porções equilibradas de terra, água, ar, matéria orgânica e vida no solo.
A intensa vitalidade de todo o sistema, principalmente a vida abrigada pelo solo, que se estabelece tanto pela cobertura do solo quanto pelo sistema agro-ecológico de produção, que não utiliza agrotóxicos e fertilizantes sintéticos, atua como um filtro natural, garantindo a qualidade da água ao mesmo tempo em que evita sua contaminação. Estamos certos de que o Projeto Cana Verde contribuiu efetivamente para aumentar o fluxo de água doce nos mananciais que nascem ou passam pelas fazendas.
Há dois casos emblemáticos que comprovam definitivamente esta nossa afirmação. Nas fazendas Santa Rita e Água Branca, havia canais vegetados originalmente construídos para drenarem o excesso de água no período de verão, quando ocorrem chuvas intensas nesta região. Anos após a implantação do Projeto Cana Verde nestas fazendas, o fluxo de água doce nestes canais passou a ser permanente, persistindo inclusive durante o inverno. Para proteger estes novos mananciais, reflorestamos suas margens estabelecendo uma mata ciliar adequada.
As imagens abaixo comparam a Fazenda Santa Rita em 1971 e em 2008, respectivamente quinze anos antes do início do Projeto Cana Verde e vinte e dois anos após sua implantação. Por elas pode-se verificar que não havia nada onde hoje se encontram os córregos.
